domingo, 24 de janeiro de 2010

Eduardo Gansauskas



Para quem gosta de escrever, e acima de tudo, escrever emoções, sabe o que vou dizer:
Ao mesmo tempo em que criar textos tão cheios de significados interiores é tão sublime, tão prazeroso; pode ser um momento em que tudo o que você sabe da vida vai por água abaixo, porque você descobre que não sabe nada!
Descobre que não sabe o que está fazendo aqui, e que não sabe de que vai servir tudo o que você viveu quando morrer. Por isso fico me perguntando, o que é que eu preciso fazer para tornar as coisas mais importantes pra mim imortais?
Eu tenho uma família linda. Uma família que me amou desde sempre, e que fez tudo por mim, pela minha vida, pela minha saúde. Talvez por isso, tudo o que eu mais quero fazer nesse mundo é dar orgulho a eles. É mostrar que eu cresci, e que fiz de cada coisa que passei um degrau. É mostrar que o que eu estou sabendo ser feliz do meu jeito. Afinal, eu tenho certeza que é isso que mais faz feliz as pessoas que me amam.
Dentro da minha família já houve muitas perdas, muitas pessoas queridas se foram. Mas, no meu caso, só uma delas chegou ao meu coração. Acho que porque quanto às demais, eu era ainda muito pequena para “entender”. Era a época em que tudo o que precisamos saber é que a pessoa querida virou estrelinha no céu, e para a sabedoria de uma criança, isso nem dói tanto assim, porque é bom, é proteção.
Eduardo Gansauskas é a estrelinha que mais me doeu “perder”. E por outro lado, é a estrelinha mais importante das minhas noites, dos meus dias, e da minha vida.
Deixou de viver na Terra para virar um anjo do céu em 27 de dezembro de 2005. Um dia do qual sempre vou me lembrar... de quando me acordaram na madrugada para dizer, em outras palavras, que eu teria de ir ver pela última vez o rosto do meu avô, tão amado. Foi realmente uma despedida. Dei os últimos beijos, os últimos carinhos físicos, os últimos olhares de admiração de neta coruja. E talvez eu tenha começado a me despedir também de todas as minhas perguntas sem respostas, dando lugar à sede de conhecimento da espiritualidade. Acho que foi o modo mais “fácil” de entender que ele estaria bem, dali para frente. E é disso que eu tenho certeza, desde então.
É um exercício enorme para praticar o desapego ao egoísmo característico de quem fica sofrendo a partida. É como reaprender a ser criança e entender que não se deve sofrer (tanto) por alguém que foi embora para ficar bem e feliz no céu, e nos proteger.
E hoje, cada lembrança que tenho, de cada momento que vivi com ele, é o meu eterno tesouro. Agradeço a Deus por tê-lo conhecido, ter recebido tanto carinho; embora não tão explícitos, tão físicos, mas não menos grandiosos.
Entre todas as outras coisas das quais me lembro perfeitamente, a mais especiais foram as tardes que passei em sua casa todos os dias da minha infância. A sessão da tarde era nosso programa preferido juntos. Já os filmes de luta eram os preferidos dele. Me lembro das milhões de vezes em que assistimos “O Rambo”. O filme era sempre o mesmo, mas hoje entendo que o que importava mais eram as nossas emoções juntos, que eram sempre diferentes. Era o nosso prazer de estar um na companhia do outro, sentados no sofá.
Durante os últimos anos de sua vida na Terra, ele sofreu da doença mais sacrificante para uma família, mas por outro lado, uma doença que é para gente sábia entender, mesmo que ache que não entenda.
Digo isso depois de ler o livro “Para sempre Alice”, no qual eu mergulhei com tanta vontade de entender o que ele sentia, que eu acho que entendi. É a doença em que se manifesta o coração. Esquece-se a memória, para dar lugar a tudo o que o coração guardou durante toda a vida. A todas as pessoas que realmente amou, com toda a força.
Um trecho do livro diz: “Num amanhã próximo, esquecerei que estive aqui diante de vocês, mas o simples fato de eu vir a esquecer num amanhã qualquer não significa que hoje eu não tenha vivido cada segundo dele. Esquecerei o hoje, mas isso não significa que o hoje não tem importância!".
Depois disso, é que eu dou valor a cada vez em que ele chamou meu nome, sem saber ao certo quem eu era. Mas o coração lembrou de mim, o sentimento verdadeiro foi preservado, sempre foi. E nesse caso, a memória pouco importa. O que realmente interessa, nesse caso, e em todos os outros, é o amor!
Eu sei que de lá onde ele está agora, continua vivendo ao nosso lado, durante todos os instantes. Eu soube que ele está cuidando de nós. Olhando pela amada esposa, pelos filhos, netos, e pela nora também.
Não existe momento mais oportuno do que esse para dizer: “Tudo ficou guardado!”. E permanece. E permanecerá intacto para sempre, não na memória, mas em todos os corações que se amaram além da memória. E todos os corações que se amaram, ficam sempre perto, SEMPRE mesmo. Porque a vida é só uma passagem, e ela continua, e vai até onde nenhum de nós pode sequer imaginar!
Todos os meus momentos felizes eu dedico a ele, porque mais do que nunca eu tenho certeza de que ele sabe de tudo o que meu coração guardou. Eu o amo demais!

6 comentários:

Thaís Rizzo disse...

você que eu amo e admiro, e nele que eu confio :x linda! s2

Thi@go disse...

Voce escreve de uma forma tao sutil, e ao mesmo tempo tao real que a emoção transborda o texto e enche meus olhos de lagrima... parabens

Hapi disse...

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Ba disse...

nossa familia é realmente linda, a material e a espiritual... laços eternos, almas felizes e confiantes vivendo o hoje e o amanhã. você sabe o quanto me emocionei com o que li - e por todos os motivos, cada detalhezinho que conhecemos o significado. Gabi, te amo desde sempre, Bá

tagskie disse...

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